terça-feira, 18 de setembro de 2012

Vela Latina - um almoço com o vislumbre do Tejo


O Vela Latina é um restaurante situado em Belém, mesmo ali junto à magnífica Torre de Belém, com um vislumbre do Tejo - nesse dia, solarengo -, que transmite o espírito náutico, ligeiramente campestre, da zona em que se posiciona - a Doca do Bom Sucesso. Nascido em 1988, mostra-se um espaço para os dias de hoje, sem que o moderno e futuro arrebate a tranquilidade de um presente em que buscamos o que é nosso por natureza e por origem.

Ao entrarmos no Vela Latina somos invadidos pela sensação de entrar num iate de luxo, revestido de madeira, com elegância e requinte. Pequenos apontamentos náuticos e marinhos fazem a decoração deste espaço, composto por diversas salas, muito iluminado, muito eclético - atendendo aos habituées e aos novos turistas que por ali passam.

Regida pelo chef Benjamim Vilaça com o apoio do Sub-Chef José Cunha (que estava ao serviço nesse dia),
a cozinha do Vela Latina apoia-se em elementos mediterrânicos, com apontamentos internacionais, num estilo de cozinha que não aspira ao contemporâneo e ao científico da mesma - que não precisa -, mas que se mantém num nível de cozinha de conforto, quer para a casa quer para os seus clientes. A carta é variadíssima e pode optar-se por um diversificado leque de pratos, sem cansar o palato, sem repetir elementos.

A sala apoia-se na chefia do Chef Manuel Lúcio, apoiado pelo Sub-Chef António Mateus. O Sub-Chef Mateus mostrou-se aberto em mostrar-nos a casa e a família em que assenta o Vela Latina, demonstrando um profissionalismo e uma atenção para com cada cliente que se mostra rara na Lisboa movimentada pelos turistas. A equipa da sala mostrou-se extremamente coordenada, fazendo denotar a sua cumplicidade de trabalho e os anos de serviço pela casa.


O almoço começou com uma flute de Moët & Chandon, fresco como se pede, a acompanhar um queijo fresco, fatias de salmão fumado e o azeite (acompanhado do balsâmico, como tanto se vê ultimamente).

O restante almoço foi, para mim, conduzido pelo Sub-Chef Mateus, que sabiamente me guiou por entre a carta e me levou ao que de melhor poderia oferecer. O E. preferiu optar ele mesmo pelos pratos apresentados, mostrando escolhas pessoais muito marcadas que o levaram a bons e maus caminhos pelo Vela Latina.


Para entrada o Sub-Chef Mateus aconselhou um magnífico "Carpaccio" de novilho com Queijo da Ilha de S. Jorge, de sabores marcantes, de uma textura delicada. A denotar, quem sabe, um pouco de sal em demasia largado sobre o "carpaccio" - não fosse o próprio queijo da Ilha que o acompanha também ele de paladar forte. Um pequeno pormenor que pode ser corrigido para conseguir um equilíbrio entre os elementos. O E. optou por uma deliciosa e muitíssimo bem confeccionada Perdiz de Escabeche, que foi um dos pratos mais marcantes do almoço. As texturas contrabalanceavam-se harmoniozamente entre a tenrura da perdiz e o crocante dos cogumelos desidratados. Os sabores perfeitos, muito bem temperados e aromatizados - uma entrada a sugerir, sem dúvida! 



Por entre o leque variado de pratos - como referi anteriormente - fui levada para um inebriante prato de Arroz de Coentros com Lagosta - sem dúvida o melhor prato do almoço (a fazer frente à Perdiz, claramente). A textura cremosa do arroz, com sucos a envolverem o paladar dos coentros, contrastava lindamente com a textura firme de uma lagosta confeccionada na perfeição! Os temperos ideiais, sem nada a corrigir. O E. optou por um Magret de Pato com Laranja e Batata Palha - longe das suas expectativas, quase desapontante após a magnífica perdiz. Bem confeccionado, é certo, o magret apresentava-se numa cozedura excelente, mas o seu sabor e excelência de confecção em nada foi apoiado pelo que o acompanhava. Gomos de laranja e batata palha - ainda que caseira - a passar um sabor desagradável a óleo, que ficou mal numa lista de pratos de sucesso ao longo da refeição. Desiquilibrado, sem ligação e a perder-se, este é um prato a ser repensado na sua totalidade pelo Chef Benjamim, para igualar os seus parceiros de mesa, uniformizando uma refeição que poderia ser de sucesso.
O almoço foi acompanhado por um dos 6 vinhos a copo disponíveis na carta (3 brancos e 3 tintos) - Domingos Soares Franco Verdelho, de 2011, de aroma floral que deixou uma frescura que equilibrou os pratos na perfeição.

 
As sobremesas foram o final de uma doce refeição - ignorando os pequenos percalços até ali. 
Aconselhada pelo Sub-Chef Mateus optei por umas Farófias da nossa Casa (se bem que os meus olhos se perderam na carta por um Tiramisú com Pedro Ximenez, a testar brevemente, quem sabe...), mas em nada me arrependi. Uma confecção e cozedura perfeitas, com as farófias a desfazerem-se na boca sem qualquer esforço, acompanhadas pelo seu delicioso e cristalino creme de baunilha - um amor de perdição!
O E. optou por algo fresco para arrebatar o almoço - Sorbet de Limão com Vodka. Que frescura, que acidez equilibrada, que contraste delicioso. Nada expectável e a superar completamente.

Para terminar, o café acompanhado de uma miniatura de queque, simples, fofo, para adocicar a degustação do café, e um pequeno mimo - duas trufas de chocolate numa pequenina caixa, para recordar a refeição num momento mais tarde do dia.


O Vela Latina mostrou-se um restaurante para passar um bom almoço de fim-de-semana, com comida de conforto, para pessoas de verdade - sem elementos estranhos, sem sabores descompassados por ligações pré-modernas - um luxo, na realidade, para descontrair enquanto se come. 














3 apreciações:

Grande menu e grandes fotos...Todas de colocar agua na boca a qualquer um.

Beijinhos

blog muito bom , tem otimas sujestoes e receitas deliciosas.
beijinho . podes seguir o meu !!?

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Obrigada por comentarem! Espero que testem e que aprovem! Beijinhos e bons conzinhados!

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